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Tratamento

Dor de cabeça que não passa com remédio: o que fazer?

Por Dr. Lucas Amorim Vieira de Barros
Neurologista · CRM 150494 · RQE 50998
01 de agosto de 2026 · 5 min de leitura
Cápsulas vermelhas e um comprimido branco sobre fundo azul, evocando a dor de cabeça que não passa com remédio

Se a sua dor de cabeça não passa com remédio, a resposta quase nunca é um analgésico mais forte. Na grande maioria dos casos, o remédio não funciona porque a causa da dor ainda não foi diagnosticada — e cada tipo de dor de cabeça pede um tratamento diferente.

O que fazer, então? Três passos: anotar o padrão das suas crises, parar de aumentar doses ou misturar remédios por conta própria, e procurar uma avaliação médica para descobrir qual é o seu tipo de dor. É isso que este artigo explica.

Por que o remédio não está funcionando?

Dor de cabeça não é uma doença única — é um sintoma que dezenas de doenças diferentes podem causar. Quando o remédio não resolve, geralmente é por um destes motivos:

  • O diagnóstico ainda não foi feito. Sem saber qual é a doença, o remédio é escolhido no escuro — para um tipo de dor que talvez nem responda a ele.
  • A crise já estava avançada. Quanto mais tarde o remédio é tomado, menor o efeito.
  • Há enjoo ou vômito. O estômago para de absorver o comprimido direito.
  • As crises são frequentes demais. Tratar crise por crise não basta: é preciso um tratamento preventivo, de uso diário.
  • O próprio excesso de analgésico está mantendo a dor — a armadilha mais comum, explicada mais abaixo.

Na maioria das vezes, a causa é enxaqueca

Quando a dor de cabeça é recorrente — vai e volta há meses ou anos — e não melhora com analgésicos comuns, a causa mais frequente é a enxaqueca. Desconfie dela quando a dor:

  • vem em crises;
  • é moderada ou forte;
  • piora com esforço físico;
  • vem com enjoo;
  • causa incômodo com luz ou barulho;
  • obriga você a parar o que está fazendo.

A enxaqueca é uma doença neurológica de verdade, reconhecida pela Sociedade Brasileira de Cefaleia como uma das principais causas de afastamento do trabalho no mundo — e tem tratamento específico, tanto para a crise quanto para prevenção. Os critérios completos do diagnóstico estão na classificação internacional das cefaleias (ICHD-3), e você encontra tudo sobre sintomas e tratamento no nosso guia completo da enxaqueca.

O que fazer: 3 passos práticos

1. Anote o padrão da dor. Quando começou, quantas crises por mês, o que sente junto (enjoo, incômodo com luz), quais remédios tomou e — muito importante — quantos dias por mês você toma remédio para dor. Essas anotações valem mais do que muitos exames.

2. Não mude o tratamento por conta própria. Não aumente a dose, não misture analgésicos diferentes e não experimente o remédio “que funcionou para o vizinho”. Além do risco de efeitos colaterais, isso costuma piorar o quadro com o tempo.

3. Procure um médico com essas anotações em mãos. O diagnóstico da dor de cabeça é feito principalmente pela conversa e pelo exame físico — na maioria dos casos, nem é preciso fazer ressonância. A partir daí, o tratamento deixa de ser tentativa e erro.

Sofre com dor de cabeça que nenhum remédio resolve? Esse é exatamente o tipo de caso que atendo todos os dias como neurologista especialista em cefaleia. Agende sua avaliação.

O que não fazer

Não use tramadol, codeína ou outros opioides. Remédios como o tramadol (Tramal), a codeína e a morfina não tratam dor de cabeça — e podem piorá-la. Além do risco de dependência, eles favorecem a volta das crises e o uso cada vez maior de remédios. Nenhuma diretriz médica de cefaleia recomenda opioides para tratar dor de cabeça.

Não tome analgésico em excesso. Usar remédio para dor de cabeça em muitos dias do mês (em geral, 10 a 15 dias ou mais, dependendo do remédio) pode transformar a dor ocasional em dor quase diária — e fazer os remédios funcionarem cada vez menos. Essa armadilha tem nome: cefaleia por uso excessivo de medicamentos. Se você toma analgésico quase todo dia, leia como o excesso de analgésico causa dor de cabeça e como sair desse ciclo.

Quando ir direto para a emergência

A dor que volta há meses ou anos, sempre parecida, é muito mais compatível com enxaqueca do que com doença grave — entenda por que dor de cabeça crônica não é tumor. Existem, porém, sinais de alarme que pedem atendimento imediato, sem esperar consulta — como a dor súbita e explosiva (“a pior da vida”) ou a dor acompanhada de febre, confusão ou fraqueza no corpo. Conheça todos eles no artigo dor de cabeça: quando se preocupar.

Perguntas frequentes

Posso tomar dois remédios de dor juntos?

Não por conta própria. Misturar analgésicos aumenta o risco de efeitos colaterais e de a dor virar crônica, sem garantia de melhorar o alívio. Combinações de medicamentos existem no tratamento da enxaqueca, mas devem ser definidas pelo médico.

A dipirona não faz mais efeito. Devo trocar por um remédio mais forte?

Trocar um analgésico comum por outro raramente resolve. Quando um remédio que sempre funcionou perde o efeito, isso costuma indicar que as crises mudaram de comportamento — e é essa mudança que precisa ser avaliada por um médico.

Ter dor de cabeça quase todo dia é normal?

Não. Dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês caracteriza uma dor crônica e merece avaliação com especialista — principalmente para verificar se o excesso de analgésicos está alimentando o problema.

O que ajuda a aliviar a crise enquanto o remédio não faz efeito?

Repousar em ambiente escuro e silencioso, aplicar compressa fria na testa ou na nuca e evitar telas costumam reduzir o desconforto nas crises de enxaqueca. São medidas de alívio, não de tratamento: se você precisa recorrer a elas com frequência, é hora de uma avaliação.

Quanto tempo uma crise de enxaqueca pode durar?

Sem tratamento adequado, uma crise de enxaqueca pode durar de 4 até 72 horas. Uma dor contínua que passa desse período, ou que nunca chega a desaparecer completamente, merece avaliação médica.


Uma dor de cabeça que não passa com remédio tem tratamento — mas ele começa no consultório, não na prateleira da farmácia. Com o diagnóstico certo, a maioria das pessoas controla as crises e para de viver de comprimido em comprimido.

Agende sua avaliação com um neurologista especialista em dor de cabeça.

Dr. Lucas Amorim Vieira de Barros — Neurologista · Especialista em Cefaleia · CRM 150494 · RQE 50998

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Não inicie, misture, substitua ou suspenda medicamentos sem orientação profissional.

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Responsável Técnica: Dra. Rebeca França de Aquino · CRM 156344/SP

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