Consulta de dor de cabeça tem vocabulário próprio — e entender esses termos ajuda você a descrever melhor sua dor e a aproveitar mais o tratamento. Guarde esta página: ela é o seu dicionário. Os termos seguem a Classificação Internacional das Cefaleias, a referência oficial que os médicos usam para diagnosticar. Para o panorama completo da doença, comece pelo guia completo da enxaqueca.
O básico
Cefaleia — o nome técnico de qualquer dor de cabeça. Toda enxaqueca é uma cefaleia, mas nem toda cefaleia é enxaqueca.
Enxaqueca (ou migrânea) — doença do cérebro que causa crises repetidas de dor, geralmente latejante, com enjoo e sensibilidade à luz e ao som. “Migrânea” é só o outro nome da mesma doença.
Crise — o episódio de dor, do início ao fim. Pode durar de 4 horas a 3 dias.
Gatilho — o que dispara uma crise em quem já tem a doença: jejum, noite mal dormida, álcool, estresse. Gatilho não é causa — a causa é a predisposição do cérebro.
As fases da crise
A crise de enxaqueca não é só a dor. Ela tem até 4 fases:
Pródromo — o “aviso prévio”, horas ou até um dia antes da dor: bocejos, sono, irritação, vontade de doce, pescoço travado. Muita gente confunde com gatilho (achar que o chocolate causou a crise, quando a vontade de chocolate já era a crise começando).
Aura — sintomas neurológicos que vêm logo antes ou junto com a dor, em cerca de 1 em cada 4 pacientes. A mais comum é visual: pontos brilhantes, linhas em zigue-zague, mancha que cresce e some em até 1 hora. Pode haver formigamento ou dificuldade para falar. Assusta, mas em quem já tem o diagnóstico é parte esperada da doença.
Dor — a fase que dá nome à crise: latejante, muitas vezes de um lado, piora com esforço.
Pósdromo — a “ressaca” depois que a dor passa: cansaço, mente lenta, corpo moído por até um dia. Você não está inventando: é fase da crise também.
Sintomas que têm nome
Fotofobia — a luz incomoda durante a crise.
Fonofobia — o som incomoda.
Osmofobia — cheiros incomodam (perfume, comida). Sintoma bem típico de enxaqueca.
Alodinia — quando algo que não deveria doer, dói: pentear o cabelo, encostar no couro cabeludo, usar óculos. Sinal de que a crise está avançada — e de que a medicação deveria ter sido tomada antes.
Tipos e situações
Enxaqueca episódica — dor em até 14 dias por mês.
Enxaqueca crônica — dor em 15 ou mais dias por mês, há mais de 3 meses. É para onde a enxaqueca mal tratada costuma caminhar. (Por que ela não é tumor — e por que você não precisa de exames.)
Cefaleia por uso excessivo de medicamentos — a dor “de rebote”: analgésico usado muitos dias por mês passa a causar dor de cabeça. Uma das principais razões de a enxaqueca virar crônica. (Como sair do ciclo sem sofrer.)
Enxaqueca menstrual — crises que vêm nos dias ao redor da menstruação, pela queda do estrogênio.
Enxaqueca vestibular — quando a crise vem com tontura ou vertigem, às vezes até sem dor.
Status migranoso — crise que passa de 3 dias sem ceder. Merece contato com o médico, às vezes medicação de resgate diferente.
Cefaleia tensional — a dor de cabeça “comum”: em aperto, dos dois lados, fraca a moderada, sem enjoo. Diferente de enxaqueca.
Cefaleia em salvas — doença rara e diferente: dor insuportável atrás de um olho, em crises curtas e repetidas, com olho vermelho e lacrimejando. Não é enxaqueca forte — é outro diagnóstico.
Termos do tratamento
Tratamento da crise (ou abortivo) — o remédio que você toma quando a dor vem, para cortá-la. Funciona melhor no início da crise.
Tratamento preventivo (ou profilático) — o remédio de todo dia, mesmo sem dor, para reduzir a frequência e a força das crises. É o tratamento de verdade da enxaqueca frequente. (Por que costuma ser “remédio de depressão” — e o que isso significa.)
Triptano — família de remédios feita especificamente para cortar a crise de enxaqueca (sumatriptano, naratriptano…). Não é analgésico comum.
CGRP — substância que o cérebro libera durante a crise e que inflama e sensibiliza os nervos da dor. Descobri-la mudou o tratamento da enxaqueca.
Anti-CGRP — a nova geração de tratamentos, que bloqueia essa substância. Inclui injeções mensais de anticorpos, feitas para prevenir enxaqueca — os primeiros preventivos criados especificamente para essa doença.
Toxina botulínica — aplicações no couro cabeludo e pescoço, a cada 3 meses, indicadas para enxaqueca crônica. Não é estética: é protocolo médico específico.
Diário de dor — o registro dos seus dias de dor, gatilhos e remédios usados. Vale mais que ressonância para acompanhar o tratamento.
Faltou algum termo que você ouviu na consulta ou leu na bula? Pergunte pelo nosso WhatsApp — e se a dor de cabeça é frequente, agende uma avaliação na Clínica da Dor de Cabeça.



